Segurança alimentar no seu contexto atual

Provavelmente o que me surpreendeu mais era foi aprender que houve um diálogo sobre a questão de segurança alimentar durante a década 90s. Mesmo que o debate existisse, acho que havia pouca ênfase em como resolver este problema dentre os países “já desenvolvidos”. Hoje, isso sim é um problema porque a lacuna entre os mais ricos e os mais pobres crescem ao longo dos anos em todos os países do mundo (não apenas entre a população num país “desenvolvido” e outra população no país “menos desenvolvido”).

Existem estudos que estabelecem patamares distintos para a população urbana e rural ao respeito do seu consumo calórico diariamente (veja o programa de San Andrés que tratou essas matérias no seu inteiro aqui). Aqueles acima de uma linha estabelecida são determinados como não pobres. Para os demais, o contrário é a verdade.

Com taxas cada vez mais altas de urbanismo às vezes nós esquecemos a possibilidade de cultivar nossa própria comida. A vida cosmopolita pode julgar essa opção quase como ser uma atividade plebeia, reservada apenas para as pessoas não sofisticadas e perdido na outra época. Pelo menos nos EUA, espero que já nos estejamos vendo a mudança dessa atitude como o povo norte-americano está se tornando mais prudente. Se a atitude com relação à cultivação da sua própria comida mude, muitos recursos do lar podem ser poupados, e melhor ainda, nunca gastados. Também vale a pena mencionar que alguns aspectos sobre a segurança alimentar, as relações dentro da comunidade de porte pequena, e os outros benéficos intrínsecos de cultivar e criar sua própria comida têm valores que são difíceis de medir.

O estudo de Luiz Antonio Cabello Norder investigou como as famílias rurais alcançaram o umbral mínimo alimentar. O papel de autoconsumo era importante em determinar se estas famílias realmente não fossem capazes de atingir um nível mínimo alimentar.

Numa economia moderna que implementa um sistema tributário eficiente, sempre é melhor ter as trocas comerciais feitas a dinheiro em vez de outros bens que nunca agreguem valor aos fundos governamentais. Ainda que as trocas a dinheiro podem ser melhor desde o ponto de vista macroeconômica, nem sempre essas trocas são ótimas nas comunidades pequenas. Os agricultores que tinham cultivos para o gasto de casa eram satisfazendo a linha de pobreza alimentar na maioria dos casos. Mesmo que eles não tinham recursos monetários, eles podiam atingir um nível adequado de consumo nutricional à relação de cálcio, proteínas, fósforo, ferro e as vitaminas A, B1, B2 e C. Quando um valor monetário era dado ao autoconsumo alimentar, apenas dois de quarenta e dois famílias foram considerados como estar num estado de pobreza.

Os fatores do estudo:

O autor utilizou uma amostra de apenas 42 famílias do Assentamento Fazenda Reunidas no município de Promissão no estado de São Paulo. Aqui é interessante que cada agricultor dispõe de uma área entre 18 a 20 hectares (p. 5). A disponibilidade dessa terra outorga a possibilidade de autoconsumir tudo o que uma família precisa para viver. (A análise sobre como isso foi determinado pode ser encontrada no trabalho.) Pouco depois, veremos que as famílias com os maiores números de moradores também são aqueles com maior tendência de ter uma renda monetária per capita inferior da linha de pobreza estabelecida.

Ao analisar as ganancias destas famílias há duas ramas de pensamento de que fazer uma abordagem. Pode considerar o gasto familiar ou a comercialização dos produtos cultivados. Igual nós podemos pensar num excedente como o que a família vende depois de atingir a linha mínima de pobreza. Enfim o autor adotou a utilizar o conceito de que tudo é contabilizado a dinheiro, ou seja, tudo tem um valor monetário.

Também a metodologia de inquérito de consumo familiar mensal de alimentos de Prof. Maria Antonia Galeazzi (UNICAMP 1996) é usada para a análise de áreas rurais. À moda que os agricultores adquirem os alimentos importam menos do que o cálculo do valor nutricional destes alimentos.

Problemas ou Temas sobressalientes:

Os dois conceitos contrários oferecidos pela CONSEA e ABAG mencionaram a importância de reforma agrária no Brasil como uma etapa fundamental para atingir a segurança alimentar. A diferença é a que medida a reforma agrária deve acontecer. Destaca também a importância de uma reforma agrária que resulta na criação de agricultura familiar ou agricultura patronal. Para um grupo faz diferença se um agricultor tem uma fazenda familiar em vez de um patronal. A liberalidade na escolha de cultivos e mesmo a mais ampla variedade desses cultivos podem ser impactos significativos na segurança alimentar do núcleo familiar que os cultivam.

A expulsão dos agricultores contribui ao êxodos às cidades de maior porte. Quando “o excedente dos agricultores de baixa renda” podem se sustentar na mesma cidade, isso ajuda a manter e desenvolver os polos no campo. Da perspectiva macroeconômica isso também ajuda com a estabilidade do país. (Venho com o suposto que um país estável está repleto de polos econômicos. Principalmente essa estabilidade é porque o país é mais flexível em face das mudanças nas tendências comerciais e econômicas.) As famílias no estudo também têm ganancias de outras fontes não relacionadas à agricultura.

Vale a pena mencionar que talvez hoje haja pouca diferença entre os cultivos para os fins comerciais e aqueles destinados ao gasto de casa. A maioria da leitura foi escrita antes do trabalho que foi publicado em 1998. A monocultura era mais enfocada nos cultivos de grãos que podem ser facilmente cultivados à grande escala. Hoje destaca dizer que também é possível fazer o mesmo com outros cultivos que não são grãos. Enfim, quase qualquer produto agropecuário agora tem um valor não apenas no mercado local, mas também no mercado internacional.

Também o estudo relatou que pode existir uma terceira alternativa. Maiores taxas de autoconsumo alimentar E maiores taxas de monocultura para exportar pode acontecer juntos. De um trabalho feito de Carlos Bastiam-Pinto intitulado “Modelando Opções de Conversão com Movimento de Reversão à Média” ele falava sobre a indústria sucro-alcooleira no Brasil. Embora que o açúcar não é um alimento fundamental para consumir uma frase dele resulta muito relevante aqui. Então por enquanto pode existir um compromisso entre aumentos de autoconsumo e a indústria monocultura

“Apesar de ser o maior produtor de açúcar do mundo, o Brasil ainda é o país com o maior estoque de terra disponível para agricultura, mesmo levando em consideração as questões ambientais (Decisões de Investimentos, p. 288). (Faça eles o favor de comprar o livro na sua forma original, vale a pena o ter na sua estante.🙂

Por último, também existe a possibilidade que uma família num estado de pobreza pode eleger e atingir suas necessidades básicas ou vender o seu produto afora para ganhar um preço ainda maior. Também existe possibilidade de ganhar credito ou mesmo estar em dívida. Porém é importante que os estudos analisam quais vitaminas e minerais as pessoas estão consumindo sobre o valor calórico daquilo. Se o mercado local de comida se tornar completamente aberto, as vantagens que tinham os agricultores pequenos podem ser comprometidos. Lembre-se que essas vantagens não são muito lucrativas para o agricultor da pequena escala mas são uma questão de sobrevivência alimentar.

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